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Leo Caetano - O acaso não existe

Autor: Administrador
Data da publicação: 17/03/2017 - 11:53h
"Pô, bacana esse seu short de surfe. Pronto, se deu a epifania! Aquilo era roupa de surfista. Ora, eu estava predestinado a ser surfista". Foto: divulgação.

O surfe nasceu para mim por acaso. Quase como se não fosse nada. Certa vez, sem que fosse nenhuma data especial, ganhei um calção vinho. Totalmente vinho. Nenhum detalhe se destacava nele, nem mesmo uma etiqueta que revelasse sua procedência. De singular apenas seu comprimento ligeiramente mais longo e os cordões brancos acetinados no lugar do botão central.

Não me incomodei com aquilo, e como qualquer garoto que não tem um armário abarrotado de roupas, aceitei o presente de muito bom grado. Até porque, não usá-lo não era uma opção.

Assim foi. Fiquei com aquela peça por um bom tempo, mesmo sem entender seu propósito e, principalmente, sem decodificar sua reveladora mensagem. Um dia, em busca de pequenas regalias compradas nas Lojas brasileiras, acompanhei minha vó num de seus famosos “dias de pagamento”. Leia-se o recebimento de pensão do INPS da coroa, que eram verdadeiras peregrinações ao centro da cidade; e eram também sinônimo de bala Juquinha no meu bolso, e com muita sorte, um carretel de linha 10 na minha mão.

O fato é que, talvez pelo meu tipo magricelo com cabelos compridos ou mesmo por algum improvável conhecimento de causa, um homem vestindo uma camisa florida disparou sorridente: Pô, bacana esse seu short de surfe. Pronto, se deu a epifania! Aquilo era roupa de surfista. Ora, eu estava predestinado a ser surfista.

Desde então, tudo relacionado ao universo de correr as ondas me interessa profundamente. Daí para me arriscar no jacaré com meu irmão, surfar com pranchas emprestadas e até testar a “novidade” chamada morey boogie foi um pulo.

Muitos shorts e pranchas de surf depois, eu continuo indo surfar sempre que posso. Sempre evoluindo, sempre aprendendo algo. Com as bermudas Tico de bordas coloridas, conheci a história do esporte dos reis. Com a bermuda Daniel Friedman imitando os Sundeks rainbows fui apresentado às lendas do esporte. Com o Company e seu indefectível “C” bordado, comecei a aceitar que somente australianos, havaianos, americanos e sul-africanos seriam campeões mundiais de surfe. Do Cyclone florido ao Billabong sintético e flexível desenvolvi, na base da insistência, a minha limitada, porém muito prazerosa habilidade no surfe.

Passados muitos anos, muitas ondas e muitas trips, ainda hoje me questiono se aquele short vinho realmente existiu, ou se é fruto da minha memória sentimental. Tenho certeza que no futuro, por mais títulos que o Gabriel Medina, Adriano de Souza e Phil Rajzman venham a ganhar, também me questionarei também se realmente tivemos uma época em que os campeões mundiais de surf falavam português.

Por Leo Caetano





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